MENOPAUSA E ANDROPAUSA: o que muda no corpo de mulheres e homens com o passar dos anos

MENOPAUSA E ANDROPAUSA: o que muda no corpo de mulheres e homens com o passar dos anos

Queda dos hormônios pode alterar sono, humor, músculos, ossos, sexualidade e até a distribuição da gordura corporal

Envelhecer é um processo natural, mas o corpo não atravessa essa fase sem mudanças. Entre as transformações mais importantes estão aquelas provocadas pela alteração na produção dos hormônios sexuais. Nas mulheres, a queda do estrogênio e da progesterona culmina na menopausa. Nos homens, a produção de testosterona também pode diminuir com a idade, embora de maneira mais lenta e variável.

Os dois processos costumam ser colocados lado a lado e chamados, respectivamente, de menopausa feminina e “andropausa masculina”. A comparação, porém, precisa ser feita com cuidado. Enquanto a menopausa é definida pela ausência de menstruação durante 12 meses consecutivos e representa o fim da fase reprodutiva, a chamada andropausa não significa que o homem deixe de produzir testosterona de uma hora para outra nem que perca definitivamente a capacidade reprodutiva.

No homem, a medicina utiliza também os termos deficiência androgênica do envelhecimento masculino (DAEM) ou hipogonadismo para situações em que existem sintomas compatíveis com deficiência de testosterona e níveis hormonais persistentemente baixos. O diagnóstico não deve ser feito apenas pela presença de cansaço, falta de libido ou alterações de humor, já que esses sintomas podem ter diversas outras causas.

A diferença entre os dois processos ajuda a entender por que homens e mulheres podem experimentar mudanças semelhantes — como redução da massa muscular, alterações no sono e na sexualidade — mas também apresentam sintomas bastante particulares.

 

O que acontece com o corpo da mulher durante a menopausa

A menopausa não acontece de maneira repentina no organismo. Antes dela existe o climatério, período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva.

Durante essa transição, os ovários passam a funcionar de maneira diferente e os níveis de estrogênio e progesterona sofrem alterações. A menstruação pode ficar irregular, mudar de intensidade e frequência e, finalmente, desaparecer.

A menopausa propriamente dita é reconhecida retrospectivamente depois de 12 meses consecutivos sem menstruar. No Brasil, ela ocorre geralmente entre os 45 e 55 anos, embora possa acontecer antes ou depois disso.

O corpo, entretanto, não muda apenas no sistema reprodutivo. A redução hormonal interfere em diferentes tecidos e sistemas.

1) Ondas de calor e suor noturno

Um dos sintomas mais conhecidos são os chamados fogachos.

A mulher pode sentir, de maneira repentina, uma onda de calor principalmente no rosto, pescoço e parte superior do tronco. O episódio pode ser acompanhado de vermelhidão, suor, palpitações, tontura e sensação de cansaço.

Quando acontecem durante a noite, os chamados suores noturnos podem interromper o sono várias vezes. O resultado pode ser uma sequência de noites mal dormidas, fadiga durante o dia, irritabilidade e dificuldade de concentração.

Os sintomas vasomotores, como ondas de calor e sudorese, estão entre as manifestações mais características da transição menopausal.

 

2) Sono mais irregular

A insônia pode aparecer ou se intensificar durante o climatério e a menopausa.

Em alguns casos, o problema está relacionado diretamente aos fogachos. A mulher acorda durante a noite por causa do calor e do suor e encontra dificuldade para voltar a dormir.

Mas alterações no sono também podem ocorrer independentemente das ondas de calor. Ansiedade, mudanças de humor e outros fatores associados ao envelhecimento podem contribuir para o problema.

Uma noite ruim ocasional não significa que exista uma doença. O alerta surge quando a dificuldade para dormir passa a ser frequente e interfere no funcionamento durante o dia.

 

3) Mudanças no humor e na concentração

Irritabilidade, ansiedade, alterações emocionais, tristeza e dificuldades de concentração podem acompanhar a transição menopausal.

Algumas mulheres também relatam sensação de “memória mais fraca” ou dificuldade para encontrar palavras e manter a atenção.

Isso não significa que a menopausa provoque necessariamente um comprometimento cognitivo. São experiências diferentes. Alterações hormonais, noites mal dormidas, estresse e outros fatores podem interferir na atenção e na memória.

Por isso, sintomas persistentes ou intensos merecem avaliação profissional, em vez de serem automaticamente atribuídos à idade.

 

4) Alterações na vida sexual

A sexualidade também pode mudar.

Com a redução do estrogênio, os tecidos da vagina e da região genital podem sofrer alterações. O ressecamento vaginal pode provocar desconforto ou dor durante a relação sexual.

Também podem aparecer alterações urinárias, como urgência para urinar, perda de urina e maior ocorrência de infecções urinárias.

A libido pode diminuir, mas isso não acontece da mesma maneira com todas as mulheres. Desejo sexual é influenciado por fatores hormonais, físicos, emocionais, relacionais e sociais.

Portanto, a redução do desejo não deve ser encarada simplesmente como uma consequência inevitável do envelhecimento.

 

5) Pele, cabelos e unhas

A queda dos níveis hormonais também pode ser percebida na aparência.

A pele pode perder parte do vigor e da elasticidade. Cabelos e unhas podem ficar mais finos e quebradiços.

Essas alterações são graduais e podem se misturar a outras mudanças naturais do envelhecimento. Por isso, não é possível atribuir toda mudança estética exclusivamente à menopausa.

 

6) A gordura passa a se distribuir de outra maneira

Uma mudança que chama a atenção de muitas mulheres é a transformação da composição corporal.

Com o avanço da idade e as alterações hormonais, pode haver maior tendência ao acúmulo de gordura na região abdominal.

Isso não significa que toda mulher necessariamente ganhará peso após a menopausa. Alimentação, atividade física, sono, genética, medicamentos e envelhecimento também influenciam o peso e a composição corporal.

O próprio Ministério da Saúde destaca que a alimentação adequada e a atividade física são importantes para a manutenção da saúde durante a transição menopausal e a pós-menopausa.

 

7) Ossos mais vulneráveis

Uma das consequências mais importantes da queda do estrogênio ocorre nos ossos.

A perda de massa óssea pode se acelerar durante a transição menopausal, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose.

Esse é um dos motivos pelos quais a menopausa não deve ser vista apenas como uma questão de sintomas desconfortáveis. Trata-se também de uma fase que exige atenção à saúde óssea ao longo dos anos.

 

8) Mudanças cardiovasculares e metabólicas

Depois da menopausa, a mulher passa por mudanças que podem alterar seu perfil metabólico e cardiovascular.

A idade, por si só, já é um importante fator de risco para diversas doenças. A transição hormonal se soma a esse processo.

Por isso, a atenção à pressão arterial, colesterol, glicemia, peso, alimentação, atividade física e outros fatores de risco passa a ser especialmente importante.

 

E no homem? O que é, de fato, a “andropausa”

É aqui que começa uma das principais diferenças.

O termo “andropausa” é popular, mas pode induzir a uma comparação exagerada com a menopausa. No homem, não existe um momento equivalente à última menstruação que marque uma interrupção repentina da função reprodutiva.

A testosterona tende a diminuir gradualmente com o envelhecimento, mas essa redução varia muito entre os indivíduos. Alguns homens apresentam níveis baixos acompanhados de sintomas; outros permanecem sem manifestações importantes.

O Ministério da Saúde descreve a andropausa como uma diminuição gradual da testosterona que pode estar associada à redução da libido e da qualidade de vida.

Além disso, sintomas como cansaço, desânimo e dificuldade de concentração são relativamente comuns na população adulta e podem ter relação com obesidade, sedentarismo, distúrbios do sono, medicamentos, estresse, depressão e diversas doenças.

Por isso, não basta dizer que um homem está “na andropausa” porque está cansado ou porque sua libido diminuiu.

 

1) Menos testosterona pode significar mudanças na sexualidade

Uma das manifestações mais conhecidas da deficiência de testosterona é a redução do desejo sexual.

Também podem ocorrer diminuição das ereções espontâneas e alterações da função sexual.

É importante, porém, separar desejo sexual de capacidade de ereção. São fenômenos relacionados, mas não idênticos.

Um homem pode ter libido preservada e apresentar dificuldade de ereção por causas vasculares, psicológicas, neurológicas ou relacionadas a medicamentos. Da mesma forma, pode ter níveis baixos de testosterona e apresentar principalmente redução do desejo.

A avaliação médica é fundamental para identificar a origem do problema.

 

2) Massa muscular e força podem diminuir

A testosterona participa da manutenção da massa muscular.

Com o envelhecimento, o homem pode apresentar redução progressiva da massa e da força muscular. A queda hormonal pode contribuir para esse processo, embora não seja a única explicação.

Sedentarismo, alimentação inadequada e outras doenças também desempenham papel importante.

É por isso que a prática regular de exercícios, especialmente aqueles que estimulam força muscular, ganha importância cada vez maior ao longo da vida.

 

3) A gordura abdominal pode aumentar

Outra transformação possível é o aumento da gordura corporal, especialmente na região abdominal.

A mudança na composição corporal pode acontecer ao mesmo tempo em que ocorre redução da massa muscular.

Isso cria uma situação em que o peso na balança nem sempre conta toda a história. Um homem pode não apresentar uma grande alteração de peso e, ainda assim, ter mudado significativamente sua proporção de gordura e músculo.

A combinação entre atividade física, alimentação adequada, sono e controle das doenças crônicas é importante para preservar a composição corporal.

 

4) Os ossos também sentem

A testosterona também participa da saúde óssea masculina.

Homens com deficiência de testosterona podem apresentar redução da densidade mineral dos ossos.

Assim como ocorre com as mulheres, o envelhecimento masculino exige atenção à saúde do esqueleto, especialmente quando existem outros fatores de risco.

 

5) Cansaço e perda de energia

Um homem com deficiência hormonal pode apresentar redução de energia, desânimo e menor disposição.

Mas esse é justamente um dos sintomas que exigem mais cuidado na interpretação.

Sentir-se cansado não significa automaticamente ter testosterona baixa.

Privação de sono, excesso de trabalho, estresse, obesidade, depressão, diabetes, doenças da tireoide e diversos medicamentos podem produzir sintomas semelhantes.

A Endocrine Society reforça que sintomas isolados, como baixa energia, alteração de libido ou mudanças de humor, não são suficientes para diagnosticar hipogonadismo. É necessário associar os sintomas a níveis consistentemente baixos de testosterona medidos adequadamente.

 

6) Humor, memória e concentração podem mudar

Alterações de humor, irritabilidade, menor motivação e dificuldades de concentração podem aparecer em homens com deficiência de testosterona.

Mas, novamente, não se trata de sintomas exclusivos.

Um homem que passa a apresentar tristeza persistente, perda de interesse pelas atividades habituais ou alterações importantes de memória deve ser avaliado. Atribuir tudo à “andropausa” pode atrasar a identificação de outros problemas.

 

7) Sono também pode ser afetado

Distúrbios do sono podem aparecer associados à deficiência hormonal e ao envelhecimento.

Há, entretanto, uma relação complexa entre sono, peso, metabolismo e testosterona. Dormir mal pode contribuir para alterações hormonais, enquanto outras condições associadas ao envelhecimento podem simultaneamente prejudicar o sono e a produção hormonal.

Por isso, o tratamento precisa considerar o indivíduo como um todo.

 

Menopausa e “andropausa” não acontecem da mesma forma

Apesar de frequentemente serem apresentadas como equivalentes, as duas condições têm diferenças importantes.

Mulheres Homens
A menopausa é um marco definido pela ausência de menstruação por 12 meses Não existe um marco equivalente
A produção ovariana de estrogênio e progesterona cai significativamente A testosterona tende a diminuir gradualmente
A fertilidade termina com a menopausa A fertilidade pode persistir mesmo com o envelhecimento
Fogachos são sintomas muito característicos Ondas de calor não são uma característica típica da queda de testosterona
Ressecamento vaginal e alterações urogenitais são comuns Alterações sexuais podem envolver libido e função erétil
A perda óssea pode se acelerar após a menopausa A deficiência de testosterona também pode prejudicar a densidade óssea
Alterações na distribuição da gordura são frequentes Pode haver aumento da gordura corporal, especialmente abdominal
A transição hormonal é relativamente bem definida A queda hormonal é variável e progressiva

A própria Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro ressalta que a “andropausa” não é exatamente equivalente à menopausa, justamente porque no homem não ocorre uma interrupção da produção do hormônio sexual, mas uma diminuição gradual.

 

O que os dois processos têm em comum

Apesar das diferenças, há uma série de pontos de contato.

Tanto homens quanto mulheres podem experimentar:

  • redução da massa muscular;
    • mudanças na composição corporal;
    • alterações no sono;
    • mudanças no humor;
    • redução da disposição;
    • alterações na sexualidade;
    • perda de massa óssea;
    • mudanças metabólicas.

Isso acontece porque os hormônios sexuais não atuam apenas sobre os órgãos reprodutivos.

Eles participam de uma série de processos relacionados aos músculos, ossos, cérebro, metabolismo e função sexual.

Por isso, quando seus níveis mudam, os efeitos podem ser percebidos em diferentes partes do organismo.

 

Nem todo sintoma é causado pelos hormônios

Esse talvez seja o ponto mais importante para quem está passando por essas fases.

Uma pessoa de 50 ou 60 anos pode estar cansada, ganhar peso, dormir mal ou apresentar redução da libido sem que a causa principal seja uma alteração hormonal.

No homem, por exemplo, a obesidade pode estar associada a níveis mais baixos de testosterona e também pode provocar sintomas semelhantes aos da deficiência hormonal. A Endocrine Society afirma que, quando o hipogonadismo está relacionado ao excesso de peso ou à obesidade e não existe outra causa identificada, a perda de peso costuma ser considerada a primeira abordagem.

Na mulher, sintomas do climatério também podem se somar a fatores como estresse, problemas de sono, sedentarismo e outras condições de saúde.

Por isso, transformar qualquer mudança do corpo em uma explicação exclusivamente hormonal pode ser um erro.

 

Reposição hormonal: quando ela entra em cena?

O assunto costuma aparecer rapidamente quando se fala em menopausa ou “andropausa”, mas não existe uma única resposta para todos.

Na menopausa, existem tratamentos para sintomas específicos e, em determinadas mulheres, a terapia hormonal pode ser considerada. A decisão depende da idade, dos sintomas, do histórico médico, dos riscos individuais e de outros fatores.

No homem, a reposição de testosterona também não deve ser utilizada simplesmente como uma estratégia para “rejuvenescer”.

As diretrizes da Endocrine Society recomendam diagnóstico baseado na combinação de sintomas e sinais compatíveis com deficiência de testosterona e níveis hormonais consistentemente baixos. A avaliação também deve buscar a causa do problema.

Em julho de 2026, a própria sociedade voltou a reforçar a necessidade de diagnóstico correto antes da prescrição de testosterona e alertou que sintomas como baixa energia e libido, isoladamente, não são suficientes para definir hipogonadismo.

Isso significa que o exame de sangue não deve ser interpretado isoladamente. Nem todo homem com testosterona baixa precisa automaticamente de reposição, e nem todo homem com sintomas precisa de testosterona.

 

O corpo muda, mas a qualidade de vida não precisa desaparecer

Menopausa e envelhecimento masculino fazem parte da trajetória natural da vida. Isso não significa, entretanto, que sintomas intensos devam ser simplesmente suportados.

Ondas de calor incapacitantes, insônia persistente, dor durante relações sexuais, alterações urinárias importantes, perda significativa de força, redução acentuada da libido, tristeza persistente ou qualquer mudança que prejudique o cotidiano são motivos para procurar avaliação de saúde.

A recomendação vale especialmente porque sintomas aparentemente “hormonais” podem esconder outros problemas.

A mulher deve conversar com um profissional de saúde sobre a transição menopausal e seus sintomas. O homem que apresenta sinais persistentes compatíveis com deficiência hormonal também precisa de avaliação adequada.

O Ministério da Saúde mantém, desde 2026, orientações específicas para qualificar o cuidado de pessoas na transição para a menopausa, menopausa e pós-menopausa dentro da Atenção Primária à Saúde.

No fim, compreender essas mudanças não significa enxergar o envelhecimento como uma doença. Significa reconhecer que o organismo passa por transformações e que informação, acompanhamento médico, atividade física, alimentação adequada, sono e prevenção podem fazer diferença.

A menopausa não representa o fim da vida ativa da mulher. E a queda da testosterona não significa que o homem esteja destinado à perda de vitalidade.

 

 

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Malaquias

Malaquias

Diretor da REVISTA DESTAQUE DIGITAL, apresentador do Programa A TURMA DO MALAQUIAS pela Rádio Socorro 103,1 FM (www.radiosocorro.com.br), de segunda a sexta, das 10:30 às 12h e das 21:30 às 23h com o programa Love Night e aos sábados das 13h às 15h.

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