Santos Reis e a Folia de Reis, versos, cantorias e caminhos de fé
Dia de Reis, saiba neste artigo curiosidades desta grande festa religiosa e seu simbolismo para a cultura
Entre o Natal e o Dia de Santos Reis, o Brasil se enche de cantos, cores e devoção. A Folia de Reis é uma das manifestações mais bonitas da nossa cultura popular, unindo fé, música e convivência comunitária. Mais do que um ritual religioso, ela é um gesto de memória viva, transmitido de geração em geração, que mantém acesa a história do povo simples e suas crenças.
Inspirado nesse legado, nasceu o grupo Santos Reis do Livramento, formado por um grupo de amigos unidos pelo amor à tradição e pela vontade de preservar aquilo que aprenderam com seus antepassados. O grupo surgiu a partir das ações de resgate de tradições desenvolvidas pelo Projeto Cor-Ação, que tem como missão fortalecer a cultura popular, valorizar os saberes tradicionais e promover encontros entre fé, arte e comunidade.
O grupo tem como madrinha a produtora cultural Rosângela Politano e como mestre o músico Luther Adelso Martinez, responsáveis por conduzir os cantos, os ritmos e a musicalidade que dão identidade à Folia.
A Folia de Reis representa simbolicamente a viagem dos Reis Magos até a manjedoura, quando Gaspar, Melquior e
Baltazar, guiados por uma estrela guia, percorreram longos caminhos para encontrar o Menino Jesus e presenteá-lo com ouro, incenso e mirra, dons carregados de fé, realeza e humanidade.
As cantorias conduzem o cortejo, entoadas com devoção e alegria, enquanto os violeiros dão o tom da caminhada.
Suas violas, enfeitadas com fitas coloridas, balançam ao ritmo dos passos e dos cantos, simbolizando promessas, agradecimentos e a diversidade de sentimentos que acompanham a Folia. Cada fita carrega um pedido, uma graça alcançada, uma história de fé.
Durante as jornadas, os bastiões cumprem um papel fundamental: são eles que declamam versos que levam às casas mensagens de reflexão, fé e esperança, lembrando o verdadeiro sentido do Natal e a história de Santos Reis.
A madrinha do grupo carrega a bandeira com profundo respeito e devoção. Com delicadeza, ela vai parando o cortejo para que a bandeira seja tocada e reverenciada pelos devotos, que ali fazem seus pedidos e, principalmente, seus agradecimentos.
Em um dos versos declamados pelo Bastião, essa mensagem se traduz em ensinamento simples e profundo lembrando que:
“O amor é a própria cura,
remédio pra qualquer mal;
ser presente na vida do outro
vale mais do que dar presente no Natal; não adianta oração sem ação.”
A Folia de Reis do Livramento não é apenas uma apresentação: é um caminhar coletivo, onde cantoria, viola, verso e fé se entrelaçam. É a amizade que sustenta o grupo, é a fé que guia os passos e é a cultura que se renova a cada jornada.
Em tempos de tanto esquecimento, iniciativas como essa reafirmam a importância de preservar nossas raízes. Que as cantorias sigam ecoando, que as violas continuem enfeitadas de cores e que Santos Reis abençoe esses caminhos, mantendo viva a tradição e o verdadeiro espírito do Natal.
Artigo: Rosangela Politano
Fotos: lucas_cego





