A História do Café, a chegada no Brasil e no Circuito das Águas Paulista

A História do Café, a chegada no Brasil e no Circuito das Águas Paulista

Neste artigo, nossa colunista Rosangela traz a história da origem do café, como chegou no Brasil e como chegou na nossa região do Circuito das Águas Paulista com lindas pinturas, confira:

Era uma vez Kaldi, um pastor que viveu na Etiópia por volta de 575 d.C. Um dia ele notou que, após comerem alguns frutos avermelhados, suas cabras ficavam mais ativas e alegres Kaldi levou a informação para os monges que, à princípio, pensaram que era feitiçaria e mandaram queimar todas as plantas, mas depois, sentindo o aroma do café torrado, eles as salvaram e começaram a usá-las em infusões e beber para resistir alongas horas de orações. A notícia se espalhou pela cidade e todo mundo começou a tomar café por lá, não precisava nem coar, bastava o pó assentar no fundo da xícara e já podia tomar.

Mas foi a Arábia Saudita, mais precisamente o Iêmen, responsável pela propagação da bebida, isso porque o cultivo do grão assumiu grande importância econômica e era mantido como um segredo pelos árabes, já que muitos acreditavam em suas habilidades milagrosas.

Daí em diante o café começou a espalhar-se pelo mundo, ao que parece, foram os holandeses os responsáveis por transportar as amostras da planta pelo mundo, já que no século XVI eles tinham o controle do comércio europeu e os melhores navios.
Não existiria tanta história do café se não existissem as cafeterias e a Turquia tem um papel de relevância nessa trajetória.

Pode-se dizer que o país foi responsável pela difusão da bebida no mundo, uma vez que em 1475 criou a primeira cafeteria: o Kiva Han, assim as charmosas cafeterias também se espalharam pelo mundo, e algumas relíquias ainda em funcionamento, como o Caffé Florian na Itália, fundada em 1720, um marco de Veneza.

 

A chegada no Brasil
Depois de muito caminhar, o grão chegou ao Brasil no século XVIII, em 1727, após uma viagem à Guiana Francesa feita pelo sargento-mor Francisco de Melo Palheta por interesses comerciais. Como o café era muito bem protegido, dizem que só depois de seduzir uma bela dama, a mesma lhe presenteou com 1000 sementes e algumas mudas de café.

Mas o desenvolvimento do café no Brasil ainda demorou um pouco. Por não se adaptar ao clima da região norte onde começou a ser cultivado, quase que acabaram todas as sementes. Mas quando finalmente o grão chegou nas divisas entre os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná, o café encontrou o clima perfeito e a terra fértil que precisava, e a partir daí os cafezais se estenderam pelo Vale do Paraíba e em pouco tempo fizeram do Brasil um dos maiores produtores de café do mundo, sendo um dos carros chefes da economia nacional.

 

Uma mancha na história
O histórico escravocrata das fazendas ainda é algo que assombra o setor. A força de trabalho utilizada inicialmente na produção foi a de africanos escravizados, estou falando de membros da nobreza, de Reis e Rainhas e de seu povo escravizado. Estou falando dos nós e dos apagamentos da história que esconderam a crueldade e desumanidade que a maquina do trafico negreiro e das redes de escravização transatlântica causaram a este povo.

 

O café em nossa região (Circuíto das Águas Paulista)
Temos uma grande herança histórica e cultural das tradições e dos costumes do cultivo de café que deram forma à identidade de nossa região. Quando pensamos nos cafezais brasileiros, encontramos não apenas, lindas plantações, floradas perfumadas e grãos aromáticos, mas também a história dos indivíduos que forjaram essa paisagem. Nosso país foi enriquecido culturalmente pela chegada dos imigrantes portugueses e italianos, trazendo consigo não apenas tradições e costumes, mas também inovações preciosas no cultivo e manejo dos cafezais. Essa força cultural somada ao trabalho dos meeiros de café, com sua dedicação e trabalho incansável, contribuíram significativamente para o crescimento econômico e social de nossa região. Histórias poéticas, mas carregadas de lutas, sofrimentos, e muita persistência das primeiras famílias de imigrantes que aqui chegaram, um legado que atravessou gerações, fazendo com que a presente história do café esteja ligada ao passado, mas, com o olhar voltado para o futuro.

O futuro do café
Em pleno século XXI é essencial utilizar a tecnologia a favor da produção. Vivemos um momento que os consumidores esperam cada vez mais qualidade no café, e contar com um produto de qualidade é necessário para sobreviver no mercado. Podemos enumerar as diversas fazendas no Basil que se utilizam de tecnologia de ponta em suas produções, colhendo um produto especial apreciado no mundo inteiro. Cada xicara de café produzido no Brasil que você tomar, é um tributo ao amor e a dedicação cultivados em nossas terras por famílias desbravadoras, que passaram seu legado através de várias gerações. Do cuidado com a planta à colheita cuidadosa, cada grão é uma promessa de futuro. AO saborear o café nosso café, você está partilhando de nossa cultura, nossas tradições e nossa história.

 

 

Rosangela Politano

Rosangela Politano

Produtora Cultural, Empreendedora, Diretora do Projeto Cor-Ação, Artista Plástica, Ilustradora, Pesquisadora de Cultura Tradicional e Curadora. (@rosangelapolitano)

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